O presidente Javier Milei aproveitou a cerimônia de encerramento Fórum Econômico Internacional das Américas, na noite de terça-feira, em Buenos Aires, para fazer um balanço de seu governo e reforçar a intenção de continuar com o intenso ajuste fiscal em andamento. Segundo ele, além da “motosserra”, um símbolo usado desde a campanha para se referir aos cortes nos gastos públicos, é preciso usar um “liquidificador”.

Milei fez várias referências em seu discurso à herança negativa que recebeu dos governos anteriores. “Os argentinos perderam 80% de sua renda nessa aventura populista que ocorreu nos últimos anos. É uma verdadeira catástrofe. A consequência disso é que mais de 50% são pobres e 10% são indigentes. Cinco milhões de argentinos não têm o que comer. Também tivemos um déficit duplo de 17 pontos do PIB”, listou.

O líder do La Libertad Avanza reforçou que seu governo está convencido em realizar o forte ajuste fiscal, que tem “muita motosserra e liquidificador”. “Se quiséssemos fazer rápido, tínhamos que fazer as duas coisas. Há muito dos dois hoje em dia. Entre elas, eliminamos obras públicas, das quais me orgulho”.

Continua depois da publicidade

Demissões

Entre aplausos, ele disse que seu governo eliminou as transferências discricionárias para as províncias e que demitiu 50 mil funcionários públicos. Milei chegou a dizer do discurso que os cortes na máquina estatal vão atingir 70 mil contratos, mas sua equipe depois esclareceu que esse número se refere aos contratos sob revisão. O jornal La Nación informou que os cortes devem atingir, ao final do processo, entre 15% e 20% desse total.

Milei também afirmou que 200 mil planos sociais entregues de forma “irregular” foram eliminados e, apesar disso, “em nenhum momento a política social foi negligenciada”, ao listar as prorrogações de verbas para planos sociais e alimentação e auxílio escolar.

Ele atacou os críticos que alegam a necessidade de gradualismo no choque em andamento. “Muito se fala que isso não é sustentável. Fizemos o que tínhamos que fazer e isso requer doses de coragem que os outros não têm. Para a desgraça do clube de helicópteros e de todos aqueles que querem que as coisas corram mal para nós. Especialmente aqueles que se queixam de que cortamos os seus empregos”, defendeu.

O líder libertário evitou novamente oferecer uma data para o fim dos controles cambiais no país, o famoso “cepo”. “Hoje a taxa de câmbio livre não mostra diferença. É até negativa se determinados parâmetros forem levados em conta. Estamos trabalhando para sair e, quando terminarmos de limpar o BCRA [o banco central argentino], nos livrarmos de todo o passivo remunerado, o que implicará uma trava na emissão de dinheiro”.

Fonte: InfoMoney

Share.