Com um crescimento mais acelerado no crédito e uma “mãozinha” da operação argentina, o Banco do Brasil (BBAS3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 9,3 bilhões no primeiro trimestre de 2024.

O resultado representa um aumento de 8,8% em relação ao mesmo período do ano passado. O número ficou acima da expectativa do mercado, que apontava para um lucro de R$ 9,232 bilhões, de acordo com as projeções que o Seu Dinheiro compilou.

Após superar os concorrentes privados no último balanço, a rentabilidade (ROE, na sigla em inglês) do Banco do Brasil atingiu 21,7% no primeiro trimestre de 2024.

Assim, ficou pouco abaixo do índice do Itaú Unibanco (21,9%) desta vez, mas superou de longe o Santander (14,1%) e o Bradesco (10,2%).

Banco do Brasil (BBAS3) e o “efeito Milei”

Assim como ocorreu no quarto trimestre, o chamado “efeito Javier Milei” ajudou o resultado do BB, que controla o banco argentino Patagônia.

O ganho veio da variação cambial sobre o resultado dos títulos atrelados ao dólar que o banco mantém na carteira. Lembrando que uma das primeiras medidas de Milei, que assumiu o cargo em dezembro passado, foi promover uma desvalorização da cotação oficial do peso.

No balanço do Banco do Brasil, o “efeito Milei” aparece na margem financeira. Mais especificamente no resultado da Tesouraria, que cresceu 223,6% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, para R$ 5,457 bilhões.

Incluindo também as receitas com crédito menos os custos de captação, a margem financeira do Banco do Brasil totalizou R$ 25,734 bilhões, alta de 21,6%.

BB acelera no crédito

Outro destaque do resultado do Banco do Brasil foi o saldo da carteira de crédito, que alcançou a marca de R$ 1,138 trilhão. Trata-se de um avanço de 10,2% em 12 meses, o maior entre os grandes bancos, e de 2,7% no trimestre.

O maior crescimento veio do agro, cuja carteira cresceu 15,5% em relação ao saldo de março do ano passado.

Enquanto isso, o índice de inadimplência do Banco do Brasil segue comportado e ficou em 2,9%, mesmo patamar do fim do ano passado. Na comparação com o primeiro trimestre de 2023, contudo, houve um aumento de 0,3 ponto percentual.

Já as provisões para perdas no crédito, um dos pontos que preocuparam no último balanço, seguem em alta e podem pesar na reação do mercado ao balanço.

As despesas avançaram 45,9% em relação aos três primeiros meses do ano passado e somaram R$ 8,541 bilhões. A boa notícia é que houve um recuo de 14,4% na comparação trimestral.

Tarifas e despesas

O bom desempenho da margem financeira acabou compensando o resultado mais fraco do Banco do Brasil do lado das receitas de prestação de serviços.

Os ganhos do BB com a cobrança de tarifas aumentaram apenas 2,6% e somaram R$ 8,344 bilhões no primeiro trimestre de 2024. Abaixo, portanto, da projeção (guidance) para o ano, que é de um crescimento entre 4% e 8%.

Por outro lado, o Banco do Brasil fez a lição de casa na linha de despesas operacionais, que cresceram 4,9% e, assim, ficaram abaixo do guidance, que prevê um avanço de 6% a 10%.

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Fonte: SeuDinheiro

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