A Oncoclínicas (ONCO3) se prepara para fazer a segunda capitalização desde a sua oferta primária de ações (IPO, em inglês), no fim de 2021. Na primeira vez, a oferta havia movimentado cerca de R$ 900 milhões. Agora a empresa pretende embolsar R$ 1,5 bilhão, segundo a nova proposta. 

A Oncoclínicas anunciou na noite de quarta-feira que seu conselho de administração aprovou por unanimidade o aumento de capital social da companhia, com a emissão de cerca de 115 milhões de novas ações. Quem irá assessorar a empresa nesse processo será a XP.

Além disso, a operação terá um colchão de segurança bastante robusto. Isso porque o Banco Mester, atuando por meio de fundos de investimento, também assumiu o compromisso de adquirir até R$ 1 bilhão das novas ações, caso a demanda do mercado não seja suficiente.

Ainda de acordo com o comunicado, as novas ações serão emitidas a um preço de R$ 13, o que representa um prêmio de 74,% sobre o fechamento da última quarta-feira, quando as ações fecharam em queda de 9,37%, cotadas a R$ 7,45. 

Para que a Oncoclínicas pretende usar R$ 1,5 bilhão?

A empresa afirma que os recursos levantados com o aumento de capital serão destinados à melhora da posição em caixa e redução da alavancagem financeira da companhia.

Segundo outro documento, a empresa espera que, até o fim de 2024, a Oncoclínicas atinja 2x endividamento sobre Ebitda (medida utilizada para avaliar a geração de caixa de uma empresa).

Isso representa uma queda em relação à alavancagem de 4,2x apresentada no primeiro trimestre deste ano, o que representa uma melhora da disciplina fiscal da companhia.

Outros detalhes do aumento de capital da Oncoclínicas

A estrutura acionária da empresa está dividida da seguinte forma: 

Acionistas %
Goldman Sachs 45,48%
Bruno Ferrari (CEO) 3,11%
Administração 0,75%
Tesouraria 3,64%
Free Float 47,03%
Total 100%
Fonte: Portal de relações com investidores da Oncoclínicas

Vale destacar que o CEO da companhia também se comprometeu a comprar a sobra de ações no valor de até R$ 500 milhões. 

Os investidores terão até o fechamento do pregão da próxima segunda-feira (27) para exercer o direito de preferência, sendo que as ações passam a ser negociadas “ex” direito a partir da abertura do dia seguinte. 

Se o Master adquirir todo o montante de R$ 1 bilhão, o banco se tornará o segundo maior acionista da companhia, com 12,3% do capital total. Já o Goldman Sachs teria sua participação diluída para cerca de 36%.

Ferrari, que possui 5% da companhia (incluindo opções sobre ações, não exercidas), passaria sua participação para algo entre 11% e 12%. 

Bom ou ruim?

O mercado vem penalizando os papeis ONCO3 nos últimos meses, apesar da valorização de 33% na última semana. Desde o começo do ano, porém, a história é outra: uma queda de 42,11% nas cotações e de 31,65% nos 12 meses anteriores. 

Isso porque a empresa vem reportando resultados muito aquém das expectativas.

Além disso, é muito provável que os fundos e o presidente precisem fazer a compra do lote excedente, tendo em vista que o prêmio sobre as ações é bastante alto — em outras palavras, o mercado pode achar “bom demais” para ser verdade.

Porém, os analistas do Citi enxergam o aumento de capital de maneira positiva, tanto do ponto de vista da disciplina fiscal quanto do prêmio das ações propostas. Para eles, é um sinal de que há grande confiança da empresa na melhora operacional. 

Fonte: SeuDinheiro

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