Após a volta do feriado, nesta quinta (2), o dólar perdeu força frente ao real, assim como em relação a outras divisas. Globalmente, a moeda norte-americana recuou, com o DXY cedendo 0,39%, especialmente após a indicação do presidente do Fed, Jerome Powell, na quarta, de que a inflação elevada pode atrasar o esperado corte de juros, mas sem trazer sinais de que a taxa, por lá, possa ser elevada de novo.

Por aqui, a moeda americana perdeu cerca de 1,5%, terminando cotada a R$ 5,11, terminando com a maior queda diária desde agosto do ano passado. A queda no Brasil foi acentuada após a agência de classificação de risco Moody’s alterar para “positiva”, de “estável”, o rating do Brasil, mesmo o mantendo em “Ba2”, a duas posições do desejado “grau de investimento” − uma espécie de selo de “bom pagador”, que começa em “Baa3”.

Assim, esses dois fatores ajudaram na valorização do real frente ao dólar nesta quinta-feira. Mas, como ficará daqui para frente? O fato de o Fed não indicar uma nova alta dos juros, para conter a inflação nos EUA, ajuda na perspectiva de que o dólar não siga seu recente processo de valorização mundial. Mas, até que efetivamente ele comece a cortar os juros, a volatilidade deve seguir forte, assim como nesta sexta-feira (3), quando o payroll de abril será divulgado.

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Dólar: perspectivas

Conforme Rafael Perretti, trader da Clear Corretora, a questão do rating ajudou na valorização do real frente ao dólar, mas o fato de Powell praticamente descartar nova alta dos juros nos EUA, mesmo que sigam elevados por mais tempo, dissipou “o pior dos cenários”, com os quais os mercados vinham trabalhando.

“A elevação dos juros pelo Fed seria totalmente prejudicial para o nosso país, porque impactaria diretamente a nossa política monetária, visto que somos um país emergente. Então, a gente não pode ter um spread de juros muito curto entre Brasil e Estados Unidos”, explica.

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Perretti ressalta que a aposta majoritária agora é de corte dos juros nos EUA em setembro. O CME Fed Watch traz esse cenário como predominante, podendo vir acompanhado de mais um corte ao menos, ainda 2024.

“O que vai ser crucial para isso (manutenção do cenário de corte) realmente acontecer vai ser o dado do payroll, que sai nesta sexta-feira, e alguns dados de inflação que vão sair neste mês. Isso vai ajudar a definir a trajetória do dólar no médio prazo”, acrescenta.

Para Guilherme Morais, analista da VG Research, o movimento de quinta foi exacerbado pelo fato do feriado local, mas o fato das falas de Powell terem vindo mais “suaves” deixaram os mercados “um pouco mais tranquilos”.

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“Então acaba sendo natural, com uma visão menor de risco (lá fora), o dólar cair um pouco mais forte por aqui”, disse, acrescentado o fato da Moody’s revisar a nota brasileira também ajudou.

“Essa sim foi uma notícia, internamente, muito boa, que pode ajudar o dólar a ter uma queda um pouco mais significativa”, complementou.

Volatilidade

Em relação à volatilidade, a aposta é que siga elevada nos próximos meses. Isso porque, além dos juros lá fora, há risco, agora, de que a Selic terminal deste ciclo de corte seja menor.

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“Não se sabe, ao certo, aonde o juros brasileiro vai se estabilizar, se vai ser em 9% ou em 10%. Então, enquanto a gente tiver essas incertezas em relação à política monetária, eu imagino que a gente deva ter um mercado um pouco mais volátil”, diz Perretti.

Para ele, quando o mercado tiver mais clareza dos próximos passos do Copom, pode haver um pouco de redução da volatilidade, no front interno.

Morais ressalta ainda, como outro fator que pode reduzir a volatilidade, é a manutenção da diminuição da sensação de escalada dos conflitos no Oriente Médio, que se fortaleceram no mês passado.

Por outro lado, ele considera que o mercado está caminhando para uma inflação persistente, nos EUA, mas caindo aos poucos.

“Vamos ver um dólar meio que de lado, algumas vezes subindo mais próximo dos R$ 5,20, retornando talvez mais próximo a R$ 5. Mas acho que ele não vai fugir muito do que a gente tem visto”, conclui.

Fonte: InfoMoney

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