Os juros futuros fecharam em alta firme a sessão desta quarta-feira, influenciado pela puxada dos retornos dos Treasuries especialmente, as de longo prazo, trazendo ganho de inclinação à curva. À tarde, a pressão diminuiu um pouco com a ausência de novidades no cenário internacional e andamento da pauta econômica no Congresso. Internamente, o mercado acompanhou a participação de Gabriel Galípolo, diretor de Política Monetária do Banco Central, em evento pela manhã, na qual pregou “serenidade” da autarquia frente à reprecificação dos ativos globais.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2025 estava em 10,350%, de 10,296% ontem no ajuste. O DI para janeiro de 2026 tinha taxa de 10,63% (máxima de 10,67%), de 10,50% no ajuste anterior. A do DI para janeiro de 2027 subia de 10,81% para 10,96%, com máxima de 10,99%. O DI para janeiro de 2029, que na máxima da manhã tocou 11,44%, projetava taxa de 11,42%, de 11,27% ontem.

Nas últimas sessões, o mercado vinha testando uma correção dos excessos na semana passada, mas hoje com o movimento forte dos juros americanos esse processo acabou sendo deixado de lado. O estrategista-chefe da Monte Bravo, Alexandre Mathias, afirma que os ativos locais têm tido a dinâmica comandada pelo exterior e, nesta semana, especialmente, “o juiz de tudo será o PCE na sexta-feira”, ao se referir ao índice de preços de gastos com consumo nos Estados Unidos. “Se vier de 2,80% para 2,70% tende a melhorar muito”, diz.

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A taxa da T-Note de 10 anos estava em 4,64% no fim da tarde, após chegar perto de 4,67% nas máximas, pela manhã. A alta de 2,6% nas encomendas de bens duráveis nos Estados Unidos em março superou o consenso (2%) e desencadeou um estresse nas curvas de juros globais. O mercado voltou a reforçar a cautela com relação ao ciclo de corte pelo Federal Reserve, embutindo maior probabilidade a apenas uma redução neste ano.

Em evento em São Paulo, Galípolo lembrou que a permanência do juro americano em níveis altos aumenta a dificuldade na disputa por capital, já que há algum enxugamento da liquidez. Porém, disse acreditar que “mesmo com a reprecificação dos ativos no mundo, o Brasil pode se mostrar como um polo de atração de investimentos”.

Para ele, o BC tem de manter a posição de “parcimônia e serenidade” e evitar reagir rapidamente a variações de ativos, ainda que isso possa atrasar um pouco o seu processo de função de reação. “Acho importante a gente ter calma, entender como isso vai se desenrolar, ainda que o risco que você esteja correndo seja de estar um pouco mais atrasado nesse processo de função de reação”, disse. Disse ainda que viabilidade de cumprir a meta de inflação do Brasil, de 3%, é um “não-tema” para o Copom. “A meta não é para se discutir, é para se perseguir.”

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O noticiário da reformas e da área fiscal foi agitado, com destaque para o projeto de lei que vai regulamentar a reforma tributária entregue ao Congresso Nacional. Outro assunto no radar é a possível judicialização da desoneração da folha de pagamentos. A Advocacia-Geral da União (AGU) ajuizou ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a lei e também quer que o Supremo declare inconstitucional a decisão de Pacheco de não prorrogar o trecho da Medida Provisória que estabeleceu a reoneração dos municípios. Para a equipe da Warren Investimentos, a ação tem forte embasamento técnico a favor do governo.

Por fim, a perspectiva de desarmamento da “pauta-bomba” de R$ 70 bilhões melhora caso a Câmara não endosse a chamada PEC do Quinquênio, cujo impacto fiscal é estimado em R$ 40 bilhões. O presidente da Câmara, Arthur (PP-AL), disse que a proposta dificilmente prosperará na Casa.

Fonte: InfoMoney

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